segunda-feira, 8 de outubro de 2018

“A escola tem uma visão muito limitada do que é a inteligência”



Vale a pena ler.As linguagens devem ser entrelaçadas e jamais separadas, elas compõem  o ser inteligente.E todos nós somos! Leiam  reportagem do El Pais- em  https://bit.ly/2Pne6dp
Ken Robinson no evento de inovação educativa EnlightED em Madri.
ENTREVISTA A KEN ROBINSON / EXPERIENTE EM INOVAÇÃO EDUCATIVA

“A escola tem uma visão muito limitada do que é a inteligência”

Ex-assessor de mais de 10 governos, Robinson critica o academicismo da escola e defende a incorporação de disciplinas como a dança


Ken Robinson (Liverpool, 1950), ex-assessor em inovação educacional do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair e de outros 10 governos, brinca com o fato de que muitas pessoas acreditam no que só existe em vídeo. Não lhe falta razão. Em 2006, ele deu uma palestra no TED sobre como as escolas matam a criatividade, a qual já soma mais de 53 milhões de visualizações em todo o mundo. Depois disso se tornou um dos pensadores educacionais mais solicitados e seu cache pode chegar a 50.000 euros (215.000 reais) por conferência. Diz que a escola funciona de maneira semelhante às cadeias produtivas industriais: o mesmo ensino é oferecido a todas as crianças, sem se levar em conta suas necessidades de aprendizagem. "É um sistema competitivo que está falhando com os alunos", lamenta.
Em seu último livro, Creative Schools (escolas criativas), da Penguin Random House, sir Ken Robinson –em 2003, a rainha Elizabeth II o nomeou um cavaleiro por promover as artes– propõe um modelo de escola que contemple outros graus de inteligência além do acadêmico, porque "nem todas as crianças irão para a universidade e você tem que ajudá-las a descobrir seu talento".
Robinson mora em Los Angeles, onde lidera a criação de duas plataformas online, uma para conectar professores de todo o mundo e acelerar a mudança na educação, e outra para ajudar os jovens a descobrir sua vocação. Nesta semana ele visitou Madri para participar do EnlightED, um evento promovido pela Fundação Telefônica, IE University e South Summit para abordar os desafios da tecnologia e a transformação do sistema educacional, e respondeu às perguntas de EL PAÍS.
Pergunta. Como acredita que a escola deve ser hoje?
Resposta. Nós vemos a escola como um local de rotinas, calendários exigentes e exames. Não há motivo para ser assim. As escolas dividem os alunos por faixa etária, mas na vida real não nos relacionamos deste modo. A escola é uma comunidade de pessoas que aprendem e a primeira coisa que deveria ser feita é misturá-las, não fazer da escola um lugar tão rígido. No final do dia, quando as crianças terminam as aulas, brincam juntas, elas não se diferenciam pela idade.
Em segundo lugar, uma boa escola é aquela com horários flexíveis. Se um adulto em seu dia a dia fosse forçado a realizar uma atividade diferente a cada 40 minutos, logo se esgotaria. As escolas têm que trabalhar com ritmos naturais para permitir que as crianças dediquem o tempo necessário a cada tarefa. Hoje existem programas suficientemente sofisticados para cada aluno trabalhar no próprio ritmo, com os próprios horários.
P. As escolas inovadoras tendem a estar localizadas em bairros com renda mais elevada e as escolas privadas costumam, na maioria das vezes, estar na dianteira. O que pode ser feito para que a inovação educacional não aumente a desigualdade?
R. Não se trata de escolher entre inovação e desigualdade, mas de conectar ambos os pontos. A inovação também é uma mudança de estratégia na hora de gerenciar o sistema educacional. Ser mais inclusivo também é inovar. Crianças que moram em bairros complicados e que, em alguns casos, não falam bem o idioma do país, precisam receber mais apoio. Elas têm um ponto de partida diferente por causa de sua situação familiar, e para oferecer-lhes as mesmas oportunidades é preciso se concentrar em responder às suas necessidades.
P. Os professores se queixam de que não têm tempo nem ferramentas para transformar a escola. O que lhes recomenda?
R. Ensinar é complicado, os professores são submetidos a uma grande pressão. No meu livro Creative Schools, eu lhes digo que a revolução deve ser feita de baixo para cima. Você tem que entender como as mudanças sociais funcionam, sempre a partir da raiz. Persuadir os políticos a pensar de maneira diferente não é a solução. As grandes questões que afetam a educação têm que ir além do ciclo eleitoral, não podem depender da vontade de um agente. É como o movimento MeToo ou ações para conter as mudanças climáticas. São iniciativas que surgem à margem da vida política.
P. Os professores têm que fazer a revolução independentemente do que os programa oficiais determinem?
R. Quando um professor fecha a porta da sala de aula, encara a sua maneira um grupo de alunos, muito poucos sistemas prescrevem como ensinar, eles não lhe dizem o que fazer minuto a minuto. O professor decide o que fazer. Muito do que acontece na educação não tem nada a ver com legislação, mas com os hábitos.
P. Outra questão a resolver é a revisão dos métodos de avaliação. Você acha que o PISA –o teste internacional mais reconhecido sobre educação no mundo desenvolvido, elaborado pela OCDE– está afetando negativamente as escolas?
R. A ideia dos testes do PISA era fornecer evidências sobre o funcionamento das escolas para permitir que os governos tomem decisões sobre a conveniência de suas políticas. O problema é a competição que ocorre entre os países. Seu objetivo de se posicionar bem no ranking os leva a renunciar ao uso de programas inovadores de aprendizagem, por exemplo, em matemática ou o idioma, a fim de atender às demandas desses testes. Nos últimos 20 anos, os Estados Unidos gastaram bilhões em testes padronizados –os alunos realizam cerca de cem avaliações externas durante o período escolar.
Esses testes não ajudaram ninguém. As pontuações em matemática ou no idioma estão no mesmo ponto de 20 anos atrás e isso desmoraliza os professores e desmotiva os jovens. As taxas de graduação também não melhoraram. Tem sido uma experiência fracassada. Outro exemplo é o de Hong Kong, onde existem empresas que oferecem treinamento para preparar crianças de três anos para o exame de acesso à escola infantil. Nós perdemos a cabeça.
P. Um dos grandes fracassos é o abandono da escola. É por falta de motivação?
R. Não gosto da palavra abandono porque esconde um estigma, sugere que o aluno falhou. É a escola que está falhando com as crianças. É concebida com uma visão muito reduzida do que é o êxito, geralmente associado ao meramente acadêmico. A dança é tão importante quanto a matemática, mas há uma visão muito limitada do que é a inteligência. Nós nos desenvolvemos física, emocional, espiritual e socialmente, temos diversos talentos. A escola não mede isso e, por essa razão, muitas pessoas continuarão pensando que fracassaram.
Existem escolas alternativas que não se concentram somente no acadêmico, mas na descoberta do talento. Elas funcionam porque têm uma visão alternativa do que é o sucesso. Um exemplo é a rede de escolas Big Picture Learning, cerca de 100 unidades com uma conexão muito próxima com os pais e a aprendizagem individualizada, com diferentes caminhos para cada aluno. No site da Alternative Education Resource Organization você pode encontrar exemplos desse tipo de escola.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Em Goiânia, Bolsonaro promete porte de arma de fogo para a população





Este é o candidato que usa e ensina a criança a atirar.

É este o candidato que se quer para o Brasil?

Ignorante, fascista e há quem  apoie um nazista deste, como?

Racista, homofóbico, este ser deve ser afastado até como candidato num país sério.

Criança é um ser sério e moldável e é assim que pensam seus apoiadores?

Deve ser banido das páginas da imprensa, das redes sociais, e não atoa há uma ação contra a impugnação de sua candidatura junto a PGR.

Precisamos extirpar os nazistas, fascistas da face do mundo, para que sejam mais humanos e próximos de uma humanidade mais solidária e respeitável, coisa que ele noa pensa assim


segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Problemas socioeconômicos elevam índice de mortalidade infantil por Jornal da Usp

Ouça o audio: https://bit.ly/2nfrunn

José Luiz Egydio Setúbal comenta o aumento na taxa de mortes de crianças após 26 anos de queda no PaísJornal da Usp
Por Diga Bahia

Após 26 anos de declínio o Brasil registrou, pela primeira vez em 2016, o aumento na taxa de mortalidade infantil, como apontam dados do Ministério da Saúde. O relatório mostra 14 mortes de bebês até um ano a cada mil nascidos vivos em 2016, um aumento de 4,8% em relação ao ano anterior. O número seguia caindo desde 1990, quando foram registradas 47,1 mortes a cada mil crianças com menos de um ano. O Brasil ainda está longe dos países de desenvolvidos que registram cinco mortes a cada mil crianças nascidas.
Segundo o Ministério, o indicador foi afetado por conta da redução de nascimentos relacionados ao adiamento de gestações e à epidemia do zika virusalém de argumentar que as crianças são o grupo mais afetado da população com as mudanças socioeconômicas no País.
José Luiz Egydio Setúbal, médico pediatra da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, vice-presidente do Instituto de Pesquisa Pensi e coordenador do Grupo de Pesquisa Saúde Infantil do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, comenta a importância da discussão da saúde infantil e dos estudos realizados pelo Grupo de Pesquisa.
As crianças são as mais vulneráveis a doenças, problemas econômicos e problemas sanitários, situações que têm grande impacto na taxa de mortalidade. A pobreza na qual estão situadas as famílias é um dos principais fatores de morte precoce, que tem relação também com a má alimentação e a falta de amamentação dos bebês, o que favorece o desenvolvimento de doenças infecciosas. Por sua vez, o zika virus, segundo o relatório do Ministério, contribuiu com cerca de 315 mortes desde 2015, o que reforça a necessidade de cuidados.
Algumas doenças têm voltado à tona após sua erradicação por conta do baixo índice de vacinação de crianças, como o sarampo, o que também pode contribuir para a taxa de mortalidade. Segundo Setúbal, isso se deve à existência de fake news relacionadas a vacinas, e também pode estar vinculado a problemas logísticos como o horário de funcionamento dos postos de saúde. É papel também dos veículos de comunicação reforçar que a vacinação é uma forma eficiente e segura para a proteção contra o contágio de doenças, além de ser obrigatória por lei no Brasil e distribuída gratuitamente.
Nesse sentido, o Grupo de Pesquisa Saúde Infantil, do IEA, pretende mapear as doenças infantis na cidade de São Paulo, começando com doenças respiratórias, nutricionais e de neurodesenvolvimento, a fim de analisar os fatores que influenciam na saúde de crianças.  
Jornal da USP no Ar, uma parceria do Instituto de Estudos Avançados, Faculdade de Medicina e Rádio USP, busca aprofundar temas nacionais e internacionais de maior repercussão e é veiculado de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 9h30, com apresentação de Roxane Ré.
Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93,7, em Ribeirão Preto FM 107,9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular. Você pode ouvir a entrevista completa no player acima.

terça-feira, 19 de junho de 2018

A crise das crianças imigrantes nos Estados Unidos





APESAR DO EL PAIS SER DO GRUPO PRISA E DOMINANDO O MAPA HISPÂNICO ELE FAZ UM JOGO ORA A DIREITA ORA A ESQUERDA, MAS É IMPORTANTE LER .

Por https://bit.ly/2ta1BsB

Perguntas e respostas sobre a crise das crianças imigrantes nos Estados Unidos

Por que as famílias são separadas? Quantas foram afetadas? O que Obama e Bush faziam?






Uma menina hondurenha de dois anos chora, no último dia 12, quando um agente detém sua mãe nos arredores da fronteira de McAllen (Texas).
Uma menina hondurenha de dois anos chora, no último dia 12, quando um agente detém sua mãe nos arredores da fronteira de McAllen (Texas).  AFP

O Governo de Donald Trump sofre uma enorme crise política por causa da sua polêmica ordem de separar pais e filhos imigrantes quando cruzam
ilegalmente a fronteira do México com os Estados Unidos.
 Estas são as principais chaves dessa política:








M





Por que as crianças estão sendo separadas de seus pais ou parentes adultos na fronteira?

Devido a uma mudança de critério do Departamento de Justiça anunciada em abril, impondo “tolerância zero” às chegadas ilegais no país. Qualquer adulto que tente entrar nos Estados Unidos de forma irregular e sem os procedimentos corretos de asilo é considerado um delinquente e processado judicialmente como tal, mesmo que não tenha antecedentes penais. Como os menores não podem ser levados à prisão, são separados.
Um juiz determina se os pais e os filhos são deportados ou
podem ficar nos EUA. A imensa maioria de imigrantes indocumentados
é de centro-americanos.

Quantas crianças já foram separadas?

Não há cifras completas. Entre 19 de abril e 6 de junho, 2.033 crianças foram separadas dos seus pais ao tentarem entrar nos EUA em pontos
fronteiriços oficiais, segundo estatísticas obtidas pela agência
Associated Press. Isso exclui os muitos imigrantes que chegam ao
país por vias não oficiais, como por exemplo atravessando o rio
 Grande em um bote. Em abril houve 55 separações, e em março
foram 64. De outubro de 2016 a fevereiro de 2018 houve quase
1.800 separações, segundo a agência Reuters.

Barack Obama e George W. Bush separavam as famílias?

Os dois antecessores imediatos de Donald Trump, o democrata
Barack Obama e, antes dele, o republicano George W. Bush, enfrentaram
picos de imigração irregular e endureceram as condições, mas nenhum
adotou esta política de separar os menores. Até 2006, era comum
que a polícia migratória detivesse separadamente pais e filhos,
segundo um relatório do Conselho Americano da Imigração. Neste ano, o Congresso exigiu que as famílias fossem liberadas ou mantidas
juntas sob custódia.
Em 2005, Bush inaugurou a política de “tolerância zero” através de
um programa chamado Operação Streamline (“otimização”), que
supunha a abertura de processo criminal contra os indocumentados, com julgamentos rápidos e, às vezes, coletivos. Entretanto, os imigrantes
com filhos se beneficiavam de exceções. Obama recorreu a este
programa em alguns momentos, mas não era comum que
imigrantes fossem processados ao entrarem pela primeira vez no país,
e as famílias eram mantidas unidas exceto em casos pontuais de
tráfico de drogas ou graves antecedentes penais.

O que Trump pede ao Congresso?

O presidente dos EUA quer que os legisladores adotem uma nova
legislação migratória mais restritiva, não só contra a imigração
irregular, mas também contra a legal. Solicita também que o Congresso
libere 25 bilhões de dólares (93,2 bilhões de reais) para a construção
 de um muro na fronteira do México, uma de suas promessas estelares.
 Como fez com os jovens imigrantes que chegaram ilegalmente
na infância e cresceram nos EUA (os dreamers, sonhadores),
Trump usa agora o drama dos menores separados como forma
de pressão para obter a reforma migratória que deseja.

Quais são as brechas legais das quais Trump se queixa?

Não há nenhuma lei que obrigue o Governo a separar famílias, como
falsamente afirma Trump. A Administração se queixa de uma norma
aprovada unanimemente pelo Congresso em 2008, nos últimos dias
do Governo do republicano Bush. A lei, que procurava evitar o tráfico
de crianças, obriga a liberar dos centros de detenção policial, do
“modo menos restritivo” possível, os menores imigrantes que tenham
chegado sozinhos aos EUA, enquanto se busca uma família de
acolhida para eles. Também impede a deportação imediata de
menores indocumentados que não sejam do Canadá ou México.
Mas não diz nada sobre a separação de pais e filhos.
Por outro lado, os tribunais limitam a 21 dias o tempo que uma mãe
pode estar com seu filho em um centro de detenção. Ao separar as
famílias, esse limite já não existe. O Governo também se queixa de
que as leis de asilo são muito generosas e propiciam um efeito-chamada.

Por que o presidente critica os tribunais migratórios?

Quase 700.000 casos se acumulam nos tribunais de imigração
à espera de serem resolvidos. Em 2009, eram 225.000 casos.
Os tribunais de imigração dependem do Departamento de Justiça,
ou seja, são parte do Poder Executivo, e não do Judiciário.
O Governo de Trump quer acabar com esses atrasos.
Em outubro entrará em funcionamento um sistema de cotas
que exigirá dos juízes que completem 700 casos por ano, e que
menos de 15% de suas decisões sejam reformadas por um
tribunal superior.
A lentidão judicial obriga alguns dos imigrantes a esperarem
vários anos até que se determine a data do julgamento que
decidirá se serão ou não deportados dos EUA. Normalmente,
durante esse intervalo eles são mantidos sob liberdade
vigiada e autorizados a trabalharem no país, para
poderem ter recursos de subsistência e porque é muito
mais barato que mantê-los sob custódia, mas os republicanos
se queixam do risco de que os imigrantes não se apresentem ao julgamento.

Crianças imigrantes em um centro de detenção em McAllen (Texas) em uma fotografia difundida o 17 de junho pela policial fronteiriça






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Crianças imigrantes em um centro de detenção em McAllen (Texas) em uma fotografia difundida o 17 de junho pela policial fronteiriça













O que acontece quando um menor chega sozinho à fronteira?

Um menor de idade,
independentemente de ter chegado sozinho à fronteira ou de
ter sido separado de seus pais ao entrar nos EUA, pode passar
um máximo de 72 horas em um centro policial. Depois desse
prazo, passa à custódia do Departamento de Saúde e Serviços Sociais,
que deve lhe buscar uma família de acolhida – muitas vezes
um familiar seu que se encontre no país. Até ser transferida
para uma família, a criança vive em um albergue para menores
subcontratado pelos Serviços Sociais, onde permanece em
média por 56 dias. O Governo tem sob custódia 11.351
menores imigrantes em aproximadamente cem centros,
segundo os últimos dados.

Quem são as 1.500 crianças ‘perdidas’?

Os Serviços Sociais admitiram em abril que, poucos meses
depois de serem transferidos para famílias de acolhida, perdeu-se
a pista de 1.475 crianças que tinham chegado completamente sozinhas
 aos EUA. O motivo é que os tutores não atendiam o telefone.
Há quem alegue que agem assim porque a maioria dos familiares
é de imigrantes indocumentados, que temem ser deportados
ou porque querem evitar que as crianças se apresentem perante o juiz.
Numerosas organizações sociais e políticas já pediram ao
Governo que melhore seus controles.

Cresceu a chegada de imigrantes indocumentados?

Sim. Nos primeiros meses da presidência de Trump, desabou o número de imigrantes detidos após cruzar a fronteira ilegalmente. Mas essa tendência terminou. Maio de 2018 foi o mês com mais prisões de imigrantes
detidos após cruzar a fronteira nos 16 meses de mandato do republicano.
A polícia fronteiriça deteve 51.912 pessoas procedentes do México,
mais que o dobro das 19.940 detenções de maio de 2017.
Pelo terceiro mês consecutivo, as apreensões se mantiveram
acima das 50.000, e continuam subindo. A cifra de maio,
entretanto, se mantém abaixo dos 55.442 detidos nesse mesmo
mês de 2016, e dos 68.804 de 2014, sob o Governo de Obama,
 quando houve uma onda de menores que viajavam
sozinhos para os EUA.

Os menores estão presos em jaulas?

Não exatamente. Nos últimos meses, circulou nas redes sociais
uma foto da agência AP mostrando duas meninas imigrantes
deitadas no chão de uma pequena sala com grades metálicas.
Entretanto, a foto é de junho de 2014, tirada em um centro de
detenção em Nogales (Arizona), quando o Governo de
Obama tentava dar uma resposta à chegada maciça de
menores imigrantes que viajavam sozinhos ou acompanhados
para os EUA. Inicialmente, a Administração tratou de manter as
famílias juntas em centros de detenção especiais, mas um juiz da
Califórnia opinou que isso violava a proibição de ter menores
em instalações similares a uma prisão. Então, o Governo decidiu
liberar as famílias enquanto esperavam dentro dos EUA a sua
audiência judicial.
No domingo passado, a polícia fronteiriça divulgou fotos de um
centro de detenção de McAllen (Texas) onde os imigrantes
são mantidos nos primeiros dias depois de serem apreendidos
na fronteira. As imagens mostram grandes salas com grades
em que crianças aparecem deitadas no chão, e outras salas com
adultos e menores juntos.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

O golpe explicado à minha filha de 11 anos

FOTO POR  https://bit.ly/2JB3Mzz







LÚCIA HELENA ISSA

Jornalista, escritora e ativista pela paz. Foi colaboradora da
Folha de S.Paulo em Roma. Autora do livro "Quando amanhece
na Sicília". Pós- graduada em Linguagem, Simbologia e
Semiótica pela Universidade de Roma e embaixadora da Paz por uma organização internacional. Atualmente, vive entre o
Rio de Janeiro e o Oriente Médio.

O golpe explicado à minha filha de 11 anos

Há cerca de dois anos, numa noite de chuvas assustadoras aqui no Rio, meses depois do Golpe de 2016, depois daquele fatídico domingo em que deputados evocaram Deus, a família ou Jesus Cristo em pessoa para aprovarem um impeachment sem crime e depois de Temer começar a confiscar direitos dos nossos irmãos mais pobres, nomear corruptos históricos para o ministério, afirmar que venderia para as multinacionais uma parte maior do Pré-Sal e daria aos estrangeiros uma imensa isenção de bilhões de reais de impostos às petroleiras estrangeiras, lesando a Pátria em mais em mais um de
trilhão de reais que seriam investidos na Educação das nossas crianças, minha filha, 
então com apenas 11 anos, me perguntou:
- Mãe, você pode me explicar uma coisa?
- Claro, filha, o que você quer saber?
- O Temer não era o vice-presidente da Dilma? Então, por que ele está fazendo 
tudo isso que lhe deixou triste? Ele não queria as mesmas coisas que ela para o 
Brasil, ou ele só fingia que queria? Isso não foi uma traição?
Achei a pergunta boa e de certa profundidade para uma menina de 11 anos.
Refleti um pouco sobre o que responderia e disse:
- Sim, o Temer e a Dilma formavam uma "chapa", o que significa mais 
ou menos um grupo musical, um grupo de pessoas que se unem, com algumas 
ideias em comum, mesmo sendo muito diferentes entre si, apresentam um
 projeto de Brasil para o povo, como o projeto de uma casa, dizem que 
partes da "casa" receberão mais investimentos, mais dinheiro (como a cozinha 
e a biblioteca, por exemplo), e que partes da "casa" receberão menos, 
falam sobre o que 
farão para a saúde, para a educação, e com esse projeto de "casa", são eleitos ou não.
 O Temer nunca teve muitos seguidores nesse grupo musical, as pessoas não o 
conheciam e os que o conheciam não gostavam muito do que viam, ele não tinha 
muitos fãs e só foi eleito porque era parte de um grupo maior, um projeto de casa 
que as pessoas queriam muito, o projeto do grupo representado por Dilma naquele 
momento.
- Então foi uma traição bem grande, pois ele traiu não só o seu grupo, mas também
 esse projeto de casa que você disse, mãe?
- Sim, porque ao trair as pessoas do grupo musical a que ele pertencia, ele acabou 
traindo também um projeto de país, um projeto que, mesmo não sendo perfeito, 
tirou quase trinta milhões de pessoas da miséria, filha, um projeto que foi elogiado 
pela ONU por combater a fome, por fazer programas sociais como o Bolsa Família,
 o Luz para Todos e que também levou alunos talentosos, mas muto pobres e que 
não tiveram as mesmas chances que você, para estudar fora do Brasil, através 
do Ciência Sem Fronteiras. Temer se uniu a um grupo musical rival, um grupo que 
tinha um projeto muito diferente do que foi escolhido pelos brasileiros
 nas urnas, entendeu?
- Acho que sim.
- Para você entender melhor, eu poderia dizer que Temer fez exatamente o que fez o 
Scar, o tio do Simba, no filme O Rei Leão. Lembra-se de como Scar traiu o 
Mufasa no filme e, mesmo pertencendo ao mesmo grupo de Simba e Mufasa, 
ele acabou se unindo às hienas? Ele acabou se unindo ao grupo que levou ao caos 
e a fome para os bichos mais frágeis da selva?
- Lembro, mãe. O que ele fez foi horrível e acabou levando muitos animais da selva
 a morrerem, pois a fome voltou e muitos animais começaram a se odiar.
- Sim, e mesmo na vida real, quando traímos nossos princípios, traímos amigos 
ou não cumprimos promessas, a história nunca acaba bem.
Temer cometeu uma traição ao se unir a um grupo que tinha planos de excluir os
 mais pobres desse projeto de "casa", entregar o petróleo do Brasil a preços muito 
baixos para os estrangeiros, tirar nossos irmãos mais pobres dos programas sociais 
que os ajudavam a sair de uma situação de miséria. Scars e Mufasas têm visões muito 
diferentes do mundo, entendeu?
- Scar era muito diferente do Mufasa...
- E sabe o que irá acontecer com Temer, filha? Acho que se tornará um dos
 governantes mais odiados da História, como foi Scar no filme, porque covardia 
e traição acabam sempre mal. Acabam levando o traidor para uma gaveta da História 
que ninguém mais abre.
Naquela noite, minha filha de 11 anos entendeu minha profunda tristeza pelo 
sequestro do Brasil e por não sabermos ainda como ou quanto nos custaria 
esse resgate.
Naquela noite, há dois anos, minha filha entendeu que Scars não são líderes, 
não foram escolhidos para o cargo que ocupam, não têm compromisso com 
a nação, serão rapidamente esquecidos pela História, mas podem nos fazer 
um imenso mal no período em que ocuparam o lugar da leoa escolhida de fato.
Naquela noite, minha filha de 11 anos entendeu o que havia acontecido no Brasil.
Inacreditavelmente, alguns homens de 50 anos ainda não entenderam. 
E, como as hienas de O Rei Leão, riem, entre alienados e arrependidos.