terça-feira, 19 de junho de 2018

A crise das crianças imigrantes nos Estados Unidos





APESAR DO EL PAIS SER DO GRUPO PRISA E DOMINANDO O MAPA HISPÂNICO ELE FAZ UM JOGO ORA A DIREITA ORA A ESQUERDA, MAS É IMPORTANTE LER .

Por https://bit.ly/2ta1BsB

Perguntas e respostas sobre a crise das crianças imigrantes nos Estados Unidos

Por que as famílias são separadas? Quantas foram afetadas? O que Obama e Bush faziam?






Uma menina hondurenha de dois anos chora, no último dia 12, quando um agente detém sua mãe nos arredores da fronteira de McAllen (Texas).
Uma menina hondurenha de dois anos chora, no último dia 12, quando um agente detém sua mãe nos arredores da fronteira de McAllen (Texas).  AFP

O Governo de Donald Trump sofre uma enorme crise política por causa da sua polêmica ordem de separar pais e filhos imigrantes quando cruzam
ilegalmente a fronteira do México com os Estados Unidos.
 Estas são as principais chaves dessa política:








M





Por que as crianças estão sendo separadas de seus pais ou parentes adultos na fronteira?

Devido a uma mudança de critério do Departamento de Justiça anunciada em abril, impondo “tolerância zero” às chegadas ilegais no país. Qualquer adulto que tente entrar nos Estados Unidos de forma irregular e sem os procedimentos corretos de asilo é considerado um delinquente e processado judicialmente como tal, mesmo que não tenha antecedentes penais. Como os menores não podem ser levados à prisão, são separados.
Um juiz determina se os pais e os filhos são deportados ou
podem ficar nos EUA. A imensa maioria de imigrantes indocumentados
é de centro-americanos.

Quantas crianças já foram separadas?

Não há cifras completas. Entre 19 de abril e 6 de junho, 2.033 crianças foram separadas dos seus pais ao tentarem entrar nos EUA em pontos
fronteiriços oficiais, segundo estatísticas obtidas pela agência
Associated Press. Isso exclui os muitos imigrantes que chegam ao
país por vias não oficiais, como por exemplo atravessando o rio
 Grande em um bote. Em abril houve 55 separações, e em março
foram 64. De outubro de 2016 a fevereiro de 2018 houve quase
1.800 separações, segundo a agência Reuters.

Barack Obama e George W. Bush separavam as famílias?

Os dois antecessores imediatos de Donald Trump, o democrata
Barack Obama e, antes dele, o republicano George W. Bush, enfrentaram
picos de imigração irregular e endureceram as condições, mas nenhum
adotou esta política de separar os menores. Até 2006, era comum
que a polícia migratória detivesse separadamente pais e filhos,
segundo um relatório do Conselho Americano da Imigração. Neste ano, o Congresso exigiu que as famílias fossem liberadas ou mantidas
juntas sob custódia.
Em 2005, Bush inaugurou a política de “tolerância zero” através de
um programa chamado Operação Streamline (“otimização”), que
supunha a abertura de processo criminal contra os indocumentados, com julgamentos rápidos e, às vezes, coletivos. Entretanto, os imigrantes
com filhos se beneficiavam de exceções. Obama recorreu a este
programa em alguns momentos, mas não era comum que
imigrantes fossem processados ao entrarem pela primeira vez no país,
e as famílias eram mantidas unidas exceto em casos pontuais de
tráfico de drogas ou graves antecedentes penais.

O que Trump pede ao Congresso?

O presidente dos EUA quer que os legisladores adotem uma nova
legislação migratória mais restritiva, não só contra a imigração
irregular, mas também contra a legal. Solicita também que o Congresso
libere 25 bilhões de dólares (93,2 bilhões de reais) para a construção
 de um muro na fronteira do México, uma de suas promessas estelares.
 Como fez com os jovens imigrantes que chegaram ilegalmente
na infância e cresceram nos EUA (os dreamers, sonhadores),
Trump usa agora o drama dos menores separados como forma
de pressão para obter a reforma migratória que deseja.

Quais são as brechas legais das quais Trump se queixa?

Não há nenhuma lei que obrigue o Governo a separar famílias, como
falsamente afirma Trump. A Administração se queixa de uma norma
aprovada unanimemente pelo Congresso em 2008, nos últimos dias
do Governo do republicano Bush. A lei, que procurava evitar o tráfico
de crianças, obriga a liberar dos centros de detenção policial, do
“modo menos restritivo” possível, os menores imigrantes que tenham
chegado sozinhos aos EUA, enquanto se busca uma família de
acolhida para eles. Também impede a deportação imediata de
menores indocumentados que não sejam do Canadá ou México.
Mas não diz nada sobre a separação de pais e filhos.
Por outro lado, os tribunais limitam a 21 dias o tempo que uma mãe
pode estar com seu filho em um centro de detenção. Ao separar as
famílias, esse limite já não existe. O Governo também se queixa de
que as leis de asilo são muito generosas e propiciam um efeito-chamada.

Por que o presidente critica os tribunais migratórios?

Quase 700.000 casos se acumulam nos tribunais de imigração
à espera de serem resolvidos. Em 2009, eram 225.000 casos.
Os tribunais de imigração dependem do Departamento de Justiça,
ou seja, são parte do Poder Executivo, e não do Judiciário.
O Governo de Trump quer acabar com esses atrasos.
Em outubro entrará em funcionamento um sistema de cotas
que exigirá dos juízes que completem 700 casos por ano, e que
menos de 15% de suas decisões sejam reformadas por um
tribunal superior.
A lentidão judicial obriga alguns dos imigrantes a esperarem
vários anos até que se determine a data do julgamento que
decidirá se serão ou não deportados dos EUA. Normalmente,
durante esse intervalo eles são mantidos sob liberdade
vigiada e autorizados a trabalharem no país, para
poderem ter recursos de subsistência e porque é muito
mais barato que mantê-los sob custódia, mas os republicanos
se queixam do risco de que os imigrantes não se apresentem ao julgamento.

Crianças imigrantes em um centro de detenção em McAllen (Texas) em uma fotografia difundida o 17 de junho pela policial fronteiriça






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Crianças imigrantes em um centro de detenção em McAllen (Texas) em uma fotografia difundida o 17 de junho pela policial fronteiriça













O que acontece quando um menor chega sozinho à fronteira?

Um menor de idade,
independentemente de ter chegado sozinho à fronteira ou de
ter sido separado de seus pais ao entrar nos EUA, pode passar
um máximo de 72 horas em um centro policial. Depois desse
prazo, passa à custódia do Departamento de Saúde e Serviços Sociais,
que deve lhe buscar uma família de acolhida – muitas vezes
um familiar seu que se encontre no país. Até ser transferida
para uma família, a criança vive em um albergue para menores
subcontratado pelos Serviços Sociais, onde permanece em
média por 56 dias. O Governo tem sob custódia 11.351
menores imigrantes em aproximadamente cem centros,
segundo os últimos dados.

Quem são as 1.500 crianças ‘perdidas’?

Os Serviços Sociais admitiram em abril que, poucos meses
depois de serem transferidos para famílias de acolhida, perdeu-se
a pista de 1.475 crianças que tinham chegado completamente sozinhas
 aos EUA. O motivo é que os tutores não atendiam o telefone.
Há quem alegue que agem assim porque a maioria dos familiares
é de imigrantes indocumentados, que temem ser deportados
ou porque querem evitar que as crianças se apresentem perante o juiz.
Numerosas organizações sociais e políticas já pediram ao
Governo que melhore seus controles.

Cresceu a chegada de imigrantes indocumentados?

Sim. Nos primeiros meses da presidência de Trump, desabou o número de imigrantes detidos após cruzar a fronteira ilegalmente. Mas essa tendência terminou. Maio de 2018 foi o mês com mais prisões de imigrantes
detidos após cruzar a fronteira nos 16 meses de mandato do republicano.
A polícia fronteiriça deteve 51.912 pessoas procedentes do México,
mais que o dobro das 19.940 detenções de maio de 2017.
Pelo terceiro mês consecutivo, as apreensões se mantiveram
acima das 50.000, e continuam subindo. A cifra de maio,
entretanto, se mantém abaixo dos 55.442 detidos nesse mesmo
mês de 2016, e dos 68.804 de 2014, sob o Governo de Obama,
 quando houve uma onda de menores que viajavam
sozinhos para os EUA.

Os menores estão presos em jaulas?

Não exatamente. Nos últimos meses, circulou nas redes sociais
uma foto da agência AP mostrando duas meninas imigrantes
deitadas no chão de uma pequena sala com grades metálicas.
Entretanto, a foto é de junho de 2014, tirada em um centro de
detenção em Nogales (Arizona), quando o Governo de
Obama tentava dar uma resposta à chegada maciça de
menores imigrantes que viajavam sozinhos ou acompanhados
para os EUA. Inicialmente, a Administração tratou de manter as
famílias juntas em centros de detenção especiais, mas um juiz da
Califórnia opinou que isso violava a proibição de ter menores
em instalações similares a uma prisão. Então, o Governo decidiu
liberar as famílias enquanto esperavam dentro dos EUA a sua
audiência judicial.
No domingo passado, a polícia fronteiriça divulgou fotos de um
centro de detenção de McAllen (Texas) onde os imigrantes
são mantidos nos primeiros dias depois de serem apreendidos
na fronteira. As imagens mostram grandes salas com grades
em que crianças aparecem deitadas no chão, e outras salas com
adultos e menores juntos.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

O golpe explicado à minha filha de 11 anos

FOTO POR  https://bit.ly/2JB3Mzz







LÚCIA HELENA ISSA

Jornalista, escritora e ativista pela paz. Foi colaboradora da
Folha de S.Paulo em Roma. Autora do livro "Quando amanhece
na Sicília". Pós- graduada em Linguagem, Simbologia e
Semiótica pela Universidade de Roma e embaixadora da Paz por uma organização internacional. Atualmente, vive entre o
Rio de Janeiro e o Oriente Médio.

O golpe explicado à minha filha de 11 anos

Há cerca de dois anos, numa noite de chuvas assustadoras aqui no Rio, meses depois do Golpe de 2016, depois daquele fatídico domingo em que deputados evocaram Deus, a família ou Jesus Cristo em pessoa para aprovarem um impeachment sem crime e depois de Temer começar a confiscar direitos dos nossos irmãos mais pobres, nomear corruptos históricos para o ministério, afirmar que venderia para as multinacionais uma parte maior do Pré-Sal e daria aos estrangeiros uma imensa isenção de bilhões de reais de impostos às petroleiras estrangeiras, lesando a Pátria em mais em mais um de
trilhão de reais que seriam investidos na Educação das nossas crianças, minha filha, 
então com apenas 11 anos, me perguntou:
- Mãe, você pode me explicar uma coisa?
- Claro, filha, o que você quer saber?
- O Temer não era o vice-presidente da Dilma? Então, por que ele está fazendo 
tudo isso que lhe deixou triste? Ele não queria as mesmas coisas que ela para o 
Brasil, ou ele só fingia que queria? Isso não foi uma traição?
Achei a pergunta boa e de certa profundidade para uma menina de 11 anos.
Refleti um pouco sobre o que responderia e disse:
- Sim, o Temer e a Dilma formavam uma "chapa", o que significa mais 
ou menos um grupo musical, um grupo de pessoas que se unem, com algumas 
ideias em comum, mesmo sendo muito diferentes entre si, apresentam um
 projeto de Brasil para o povo, como o projeto de uma casa, dizem que 
partes da "casa" receberão mais investimentos, mais dinheiro (como a cozinha 
e a biblioteca, por exemplo), e que partes da "casa" receberão menos, 
falam sobre o que 
farão para a saúde, para a educação, e com esse projeto de "casa", são eleitos ou não.
 O Temer nunca teve muitos seguidores nesse grupo musical, as pessoas não o 
conheciam e os que o conheciam não gostavam muito do que viam, ele não tinha 
muitos fãs e só foi eleito porque era parte de um grupo maior, um projeto de casa 
que as pessoas queriam muito, o projeto do grupo representado por Dilma naquele 
momento.
- Então foi uma traição bem grande, pois ele traiu não só o seu grupo, mas também
 esse projeto de casa que você disse, mãe?
- Sim, porque ao trair as pessoas do grupo musical a que ele pertencia, ele acabou 
traindo também um projeto de país, um projeto que, mesmo não sendo perfeito, 
tirou quase trinta milhões de pessoas da miséria, filha, um projeto que foi elogiado 
pela ONU por combater a fome, por fazer programas sociais como o Bolsa Família,
 o Luz para Todos e que também levou alunos talentosos, mas muto pobres e que 
não tiveram as mesmas chances que você, para estudar fora do Brasil, através 
do Ciência Sem Fronteiras. Temer se uniu a um grupo musical rival, um grupo que 
tinha um projeto muito diferente do que foi escolhido pelos brasileiros
 nas urnas, entendeu?
- Acho que sim.
- Para você entender melhor, eu poderia dizer que Temer fez exatamente o que fez o 
Scar, o tio do Simba, no filme O Rei Leão. Lembra-se de como Scar traiu o 
Mufasa no filme e, mesmo pertencendo ao mesmo grupo de Simba e Mufasa, 
ele acabou se unindo às hienas? Ele acabou se unindo ao grupo que levou ao caos 
e a fome para os bichos mais frágeis da selva?
- Lembro, mãe. O que ele fez foi horrível e acabou levando muitos animais da selva
 a morrerem, pois a fome voltou e muitos animais começaram a se odiar.
- Sim, e mesmo na vida real, quando traímos nossos princípios, traímos amigos 
ou não cumprimos promessas, a história nunca acaba bem.
Temer cometeu uma traição ao se unir a um grupo que tinha planos de excluir os
 mais pobres desse projeto de "casa", entregar o petróleo do Brasil a preços muito 
baixos para os estrangeiros, tirar nossos irmãos mais pobres dos programas sociais 
que os ajudavam a sair de uma situação de miséria. Scars e Mufasas têm visões muito 
diferentes do mundo, entendeu?
- Scar era muito diferente do Mufasa...
- E sabe o que irá acontecer com Temer, filha? Acho que se tornará um dos
 governantes mais odiados da História, como foi Scar no filme, porque covardia 
e traição acabam sempre mal. Acabam levando o traidor para uma gaveta da História 
que ninguém mais abre.
Naquela noite, minha filha de 11 anos entendeu minha profunda tristeza pelo 
sequestro do Brasil e por não sabermos ainda como ou quanto nos custaria 
esse resgate.
Naquela noite, há dois anos, minha filha entendeu que Scars não são líderes, 
não foram escolhidos para o cargo que ocupam, não têm compromisso com 
a nação, serão rapidamente esquecidos pela História, mas podem nos fazer 
um imenso mal no período em que ocuparam o lugar da leoa escolhida de fato.
Naquela noite, minha filha de 11 anos entendeu o que havia acontecido no Brasil.
Inacreditavelmente, alguns homens de 50 anos ainda não entenderam. 
E, como as hienas de O Rei Leão, riem, entre alienados e arrependidos.

domingo, 22 de abril de 2018

Aprender a aprender !



 APRENDER A ESTUDAR
DAR CONTA DE DAS 
TAREFAS UNIVERSITÁRIAS DO SEU CURSO-
 INICIANTE  NA UNIVERSIDADE –GRADUAÇAO OU PÓS



Dr. Paulo Vasconcelos – USP- COMUNIÇÃO-PSICANÁLISE E EDUCAÇÃO






EXPERIÊNCIA DOCENTE EM ORIENTAÇÃO- USP- PUC E OUTRAS PRIVADAS
HORAS AGENDADAS- AV PAULISTA




AUXILIAR NO DESENVOLVIMENTO E PLANEJAMENTO DE ATIVIDADES 



PARA HORAS DE ESTUDOS E DE TAREFAS UNIVERSITÁRIAS –PROVA, 
SEMINÁRIOS-DESENVOLTURA DA ESCRITA E PENSAMENTO TEÓRICO DO

ALUNO
CRIAR MÉTODO PARA ESTUDO INDIVIDUAL E EM GRUPO



CONTATO WHATSAPP 11 .975425724



EMAIL paulovas@gmail.com



Metodologia da relação do tutor Aluno


Criar uma aliança de confiança com o aluno recebido;
Buscar entender o aluno nas suas  particularidades (subjetividade), 
seu modo de ser,  sua avaliação própria – de si ,que  por vezes bloqueiam o aprendizado;
Estimular sua autoconfiança redescobrindo seus valores pessoais.







terça-feira, 6 de março de 2018

Crianças precisando lidar com agendas atribuladas.......

Criança trabalhando, criança, trabalho escravo, trabalho infantil (Lets/Flickr/CC)

Há uma vontade intensa, sobretudo, na classe média e alta, quando não -mesmo enganosa, na pobreza, de fazer as crianças logo um adulto, sem ter consciência disto, mas entupindo de tarefas.Elas são um futuro, dizem os pais, ou tutores outros, mas enganam-se, sobrecarregam-nas para querer o  SUCESSO!. Na verdade o sucesso é estar e ser criança no seu tempo, e com suas atividades cotidianas de casa, que muitas vezes já as sobrecarregam.É preciso encarar a infância como  momento de formação natural, é preciso ouvi-las, e fazer com que as mesmas ouçam, vejam o mundo , ma sem adiantamento do tempo.A infância é um tempo sóciopolitico, em que se inserem e nisso implica  a subjetividade deste sujeito.Nas classes pobres o trabalho é inserido e agendado desde cedo, soube andar falar, ja se torna  adulto.Desta feita, a infância também é comandada por um sistema politico econômico de cada pais. Assim este tempo é dominado por modismos que o capitalismo insinua, impõe, cuidado!!!Vejamos o que nos fala Daniel Becker via Jornal Prosa e Verso, http://bit.ly/2oOxrsv, retirado de outra mídia. Paulo Vasconcelos



Por http://bit.ly/2oOxrsv  Daniel Becker


‘Infância não é fase de construir currículo’ alerta Daniel Becker, pediatra e pesquisador da UFRJ

É cada vez mais comum ver crianças precisando lidar com agendas atribuladas, preenchidas com aulas de idioma, música, reforço, teatro, esportes.
Para o pediatra Daniel Becker, pesquisador do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro e um dos criadores do programa Saúde da Família, essa visão curricular sobre as atividades nas quais a criança precisa se envolver pode acabar fazendo com que ela desenvolva comportamentos de competitividade e individualismo.
O especialista defende que, na infância, a prioridade deve ser o livre brincar, atividade que não pode ser repetida em outra etapa da vida e que é capaz de estimular uma série de competências humanas que nenhuma sala de aula poderá ensinar.
Becker concedeu entrevista a EXAME* sobre a importância de cultivar a saúde desde os primeiros anos de vida durante o VII Simpósio Internacional de Desenvolvimento da Primeira Infância, em Fortaleza.
Muitos pais acreditam que deixar ao criança ocupada com atividades que compõem um currículo estão auxiliando na educação. Por que o senhor critica essa prática?
Nós vivemos uma cultura de excesso de valorização da aprendizagem com adultos, é um paradigma da escola do desenvolvimento. Como se o desenvolvimento de uma criança só se desse na sua interação com adultos, em aulas, supervisões, atividades programadas e estruturadas.
Quando, na verdade, isso só provê essa criança de um tipo de ganho, um tipo de inteligência. Essa educação bancária – em que um domina o conhecimento e outro está ali para receber – é cada vez mais reconhecida como um modelo que tem muitas limitações.
As nossas crianças brincam para serem adultas, por essa crença dos pais de que elas se tornarão mais prontas para o mercado. Brincando a criança aprende coisas que ninguém mais pode ensinar a ela.
Uma criança que brinca no parque com amigos vai aprender a negociar, interagir, ter empatia, ouvir o outro, se fazer ouvir, avaliar riscos, resolver problemas, desenvolver coragem, autorregulação, auto estímulo, criatividade, imaginação… Uma série de habilidades que nenhuma aula vai oferecer para ela.
E elas são muito mais importantes para um adulto bem-sucedido do que uma aula de Kumon ou violino. Não que precisemos desvalorizar a importância de matricular nossos filhos em algumas atividades, mas é importante nunca esquecer que brincando livremente na natureza a criança está aprendendo.
Existe algum risco de essas crianças se tornarem adultos mais improdutivos ou com alguma deficiência?
Há algumas pesquisas que já estão avaliando que as crianças da geração Y, os millennials, que foram superprotegidas e foram vítimas desse excesso de escolarização, estão se tornando adultos narcisistas, incapazes de lidar com a frustração e com o conflito, tendem a fugir das intempéries…
Começamos a ter alguns indícios disso. São efeitos previsíveis. Uma criança que enfrenta a realidade com o pai e a mãe se interpondo entre ela e o problema não vai aprender a resolver sozinha. Nem com o professor ensinando a ela alguma disciplina.
Ela tem que cair e ralar o joelho. Porque a vida dói, a realidade dói. Mas passa. E, no dia seguinte, o machucado ganhou uma casquinha, o corpo está reagindo e fazendo alguma coisa.
Daqui a pouco, aquela marquinha sumiu e o joelho voltou ao normal. Olha tudo o que ela aprendeu ali sobre enfrentar a dor, sobre saber que essa dor passa e que o corpo funciona e se regenera. Que aula vai oferecer a ela essa experiência?
O senhor ressaltou, em sua palestra, que investir num pleno desenvolvimento na primeira infância ajuda a reduzir os custos futuros com saúde. Por quê?
Porque as crianças se tornarão adultos mais capacitados, mais saudáveis, que poderão fazer melhores escolhas e desenvolver bons hábitos, vão ter um melhor emprego e conseguir condições de vida melhores… E são essas as condições de vida determinantes de uma saúde melhor no longo prazo.
Com melhores hábitos nutricionais, as doenças que mais matam atualmente têm maior chance de serem evitadas lá na frente, como diabetes, obesidade, hipertensão. É na primeira infância que a prevenção dessas doenças começa. Investir na capacitação familiar, em pré-natal e incentivo ao aleitamento materno, que ajuda a reforçar as defesas do organismo, é muito eficiente em termos de investimento em saúde pública.
O senhor também falou que a primeira infância ajuda os gestores públicos a superar o dilema da busca por equidade e por eficiência, que normalmente são vistas como inconciliáveis. Como?
É uma dualidade clássica do político, que quer ter resultados daqui a quatro anos, quando ele estiver se reelegendo. Para o gestor público, investir dinheiro na redução da pobreza muitas vezes é muito custoso e tem pouco resultado.
E ele consegue ser eficiente com esse recurso, porque a estrutura dessas pessoas já é muito viciada por opressão e baixo desenvolvimento. O investimento na primeira infância supera essa dualidade.
Investir nesse momento da vida ajuda a promover redução da pobreza em médio e longo prazos, com uma eficiência muito grande dos recursos, porque investir precocemente é o que traz mais resultados. No curto prazo também funciona, porque esse gestor vai contar com famílias mais felizes e crianças rendendo mais na escola. É um caminho para a cidadania e para uma sociedade mais capacitada.
* Publicado originalmente em revista Exame.